O Legado de Alan Moore

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Alan Moore nasceu em Northampton, em 18 de novembro de 1953, o escritor britânico é considerado um dos quadrinistas mais importantes da história. Moore é conhecido principalmente pela sua carreira no universo dos quadrinhos e adaptações cinematográficas como V de Vingança, Liga Extraordinária, Watchmen e Do Inferno que mesmo não agradando nem um pouco o autor, são consideradas as adaptações de HQ’s mais fiéis que o cinema já conheceu.

A infância e adolescência do autor foram bastante conturbadas por conta do pobre meio familiar em que Alan cresceu. Ainda na fase acadêmica foi expulso da escola e enfrentou bastante dificuldade para conseguir entrar em outra por conta do ocorrido. Quando o autor completou 18 anos estava desempregado e foi então que conheceu a revista Embryo, o projeto elaborado por amigos e o convívio nesse meio garantiu a Alan Moore um lugar no Laboratório de Artes de Northampton. E foi no laboratório de artes que o escritor conheceu Phyllis com quem logo se casaria e teria duas filhas; Leah e Amber.

O autor se viu no inicio de sua carreira como quadrinista em 1979 na revista semanal musical Sounds, onde trabalhou como cartunista. Lá escreveu e desenhou uma história de detetive chamada “Roscoe Moscou” sob pseudônimo de “Curt Vile”. Moore achou que não era um bom ilustrador e decidiu a partir dali trabalhar apenas escrevendo histórias. Os primeiros trabalhos de ficção do autor foram para o Doctor Who Weekly e o titulo  2000 A.D que também já passaram pelas mãos de Grant Morrison, Dave Gibbons e incontáveis outros mestres.

Nesse titulo Moore popularizou varias series como; D.R. & QuinchA Balada de Halo Jones e SKIZZ. Logo em seguida o escritor iria alavancar sua carreira iniciando seus primeiros trabalhos na revista britânica Warrior. Ali Alan Moore teve seus primeiros contatos como escritor de duas importantes séries, eram elas; V de Vingança Um Conto Sobre a Luta Pela Dignidade e Liberdade Numa Inglaterra Dominada Pelo Fascismo e Marvelman, que mais tarde seria conhecido como Miracleman. Ambos os títulos proporcionaram ao autor os prêmios de melhor escritor de quadrinhos em 1982 e 1983 pela British Eagle Awards.

c037afd67b65449f15772604489b446fO quadrinista ampliou sua popularidade iniciando trabalhos para a DC Comics onde assumiu a série mensal do Monstro do Pântano. A DC disponibilizou ao autor total acesso criativo da série e Moore revirou a mesma do avesso. Monstro do Pântano passou a ser uma série bem trabalhada e marcante, em suas sequências de histórias acabou por introduzir um personagem que mais tarde todos iriam conhecer; John Constanine que posteriormente teria sua própria revista, intitulada Hellblazer. Com esses títulos, mais tarde a DC faria uma linha de Hq’s adultas, no selo hoje mundialmente conhecido, o Vertigo.

Pela DC Comics o escritor fez uma série de grandes trabalhos memoráveis e um dos favoritos pelos fãs é A Piada Mortal. Uma verdadeira obra de arte para a crítica, tanto no quesito roteiro, que mexe com o psicológico de muitos quanto na arte de Brian Bolland que consegue explorar minuciosamente a história.
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No Inicio do Ano de 1985 a DC Comics abordou o roteirista com a proposta de entregar outros personagens ao autor. Seriam esses personagens da extinta Editora Charlton, em algumas semanas os esboços do enredo do que a principio estava intitulado como “Watchmen” (vigilantes) já estava pronto e entregue a eles. A resposta foi tão imediata que até mesmo Alan Moore ficou impressionado, isso porque a proposta da HQ de mostrar aos leitores como era a vivencia de super-humanos no meio de humanos e de como seria ao formarem leis que vetassem o uso dos poderes dos mesmos, fazendo com que se aposentassem. O que as pessoas não sabem é que mesmo a DC proporcionando grandes personagens a Alan Moore como Monstro do Pântano, Watchmen, finalmente Coringa e Batman o autor teve uma árdua caminhada. A DC Comics tinha pouquíssimas expectativas no autor e por isso entregou a ele personagens completamente lado “B” e é exatamente por isso que Moore virou monstro do Pântano do avesso e isso também explica porque o antigo e despretensioso “Coruja” se transformou numa espécie de personificação de O Cavaleiro Das Trevas.

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O conceito que Alan Moore tinha sobre as adaptações de suas obras era completamente diferente do que os dos críticos de cinema tinham. Isso porque Moore nunca viu se quer um só filme de uma de suas obras adaptadas para o cinema, ele alega que a casa (Hollywood) está completamente falida no quesito idéias, e que filmes de quadrinhos não funcionam. Em entrevista a totalfilm.com o autor disse; “A principal razão do porquê de os quadrinhos não funcionarem como filmes é que todo mundo que realmente controla a indústria de filmes é contador. Estas pessoas podem ser boas em manter e deles fazer balanços mas em qualquer outra área são estúpidos e incompetentes e não tem qualquer talento. E é por isso que um filme é um trabalho por dúzias, dúzias e dúzias, se não centenas de pessoas. Elas mostram o filme aos investidores que dizem, nós queremos que coloquem isto nele, e isto, e… onde está o monstro?”

032985 Alan Moore, author of the "From Hell" comic book series at home in Northamptonshire, UK, Monday July 23 2001. The story, which recounts the Jack the Ripper murders, has been made into a Hollywood blockbuster starring Johnny Depp. The "From Hell" movie hits US cinema screens in October 2001. Photo by Graham Barclay /for the Times UPFRONT SUNDAY FEATURE

Incomum em vários sentidos o anúncio da aposentadoria chegou, fechando um ciclo onde vários gênios dos quadrinhos se inspiravam sem limites, tais como Joss Whedon, Mark Waid e Brian Michael Bendis, entre muitos outros. Alan Moore há pouco mais de 20 anos decidiu se declarar um mago. “Eu acredito que um artista ou um escritor são o mais perto do que as pessoas podem conhecer hoje em dia sobre ser um mago”, contou no documentário “The Mindscape of Alan Moore”, de 2012. “A arte, assim como a magia, é a ciência de manipular a consciência com imagens ou palavras”. Disse Moore, isso gerou uma série de especulações a respeito de como era o estilo de vida do autor, induzindo fãs a imaginar um lado sobrenatural no mesmo.

O autor reuniu em seu currículo uma série de disputas legais com as duas maiores editoras dos Estados Unidos, Marvel e DC Comics, “Eu não consigo respeitar Stan Lee. Quando eu era pequeno eu o respeitava como o maior escritor em inglês. Mas quando você começa nessa indústria você começa a ter outra percepção. Jack Kirby criou aqueles personagens. Kirby e Joe Simon criaram o Capitão América, Lee tinha 12 anos! Ele não diz que Steve Ditko criou o Homem-Aranha. Eu fico louco com isso!”, disparou o autor em 2012.  O fato é que já fazia muito tempo que o autor não se sentia satisfeito com a indústria dos quadrinhos “Algo que me tirou dos quadrinhos e é uma confissão da minha imaturidade é que hoje os quadrinhos são aceitáveis. Eu realmente gostava mais quando as pessoas os odiavam e aquela mídia genial nos permitia fazer coisas fantásticas. A arte é isso, não o que o público deseja, mas sim o que eu quero”, justificou Moore, sobre a aposentadoria.

AllanMoore2-thumb-800x413-32828thumbnail_alan-mooreMago, incomum, esquisito, estranho, Alan Moore foi intitulado de diversas maneiras. É dono de um temperamento um tanto difícil, mas a genialidade que ele carrega e a força de personalidade que leva, por onde passa ou toca, são inegáveis. Mesmo que a aposentadoria tenha chegado cedo, Moore proporcionou obras suficientes para fãs colecionarem, debaterem e discutirem sobre qual foi à melhor ou qual era a proposta do autor naquele quadrinho ou até conjecturar se algum dia alguma daquelas obras terá continuação ou até sonhar com algum derivado de sua autoria.

 



Redação Diplomacia Nerd

Um seleto grupo de nerds, protótipos de escritores, munidos de café ☕ e com uma mochila repleta de livros e quadrinhos 📚


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